Início da atividade musical

Para complementação de sua formação, aos dez anos de idade o jovem Francisco começa estudar piano. Entretanto, este conhecimento não passou das primeiras letras ou das primeiras notas. O violão só veio a fazer parte de sua vida por volta de 1956, quando aos quatorze anos em visita de férias, esteve em casa de um primo na cidade do Axixá, na beira do rio Munim, interior do Estado do Maranhão. O primo, José Maria Fontoura, que mais tarde viria a ser o maestro Zé do Munim, como  músico, tocava sax, violão e as serestas na beira do rio ensinaram ao menino Chico os primeiros acordes do violão. Ao voltar destas férias, por incentivo do mesmo primo, foi lhe dado um violão. Havia em São Luís, na rua das Cajazeiras, uma barbearia montada numa pequena sala de visitas de uma porta e janela, onde morava o barbeiro e sua família. Era a barbearia do empolgante Wilson. Este senhor, muito comunicativo, de aparência simpática e inteligente, se dizia “comunista” e dedilhava um violão clássico muito expressivo para agradar a freguesia e dizia sempre que seu público era “de excelente estirpe”. “Wilson impressionava todo mundo que freqüentasse sua tesoura”, afirma hoje Chico Maranhão. Era, portanto, esta barbearia um ponto de encontro contumaz dos melhores violonistas nos idos de 58. Chico também passou a cortar o cabelo com Wilson apesar dos reclames do pai, pois com tudo isso o preço do corte só poderia ser “especial”. Nesse tempo os estudos do violão se intensificaram observando os outros, copiando acordes, aprendendo músicas, ouvindo os mais entendidos.

Não demorou para que os primeiros acordes juntassem-se as primeiras letras e aí, as primeiras composições. Surge o prazer de cantar suas próprias “coisas”. Ironicamente, cabe aqui salientar que já houvera na música popular do Brasil Colônia um grande movimento musical conhecido como a música dos barbeiros.