No período da juventude de Chico Maranhão, a música brasileira estava no auge e tocar um instrumento como o vilão era o máximo. Assim, os meninos que cantavam e tocavam eram muito admirados por seus colegas contemporâneos e Maranhão não fugia à regra, onde chegava era convidado a mostrar sua “Gabriela”. Logo a música ficou bastante conhecida no meio estudantil. Quando de uma excursão pela França com o Grupo do TUCA , Teatro da Universidade Católica a qual fazia parte, Maranhão foi apresentado a um jornalista disc-jóquei chamado Walter Silva, que não era outro senão o lançador de quase todos os artistas daquela época em São Paulo. Deste encontro veio uma grande amizade e o Walter inscreveu a música “Gabriela” no III Festival da Record. Estamos em 1967.
Embora “Gabriela” fosse a preferida, decidiram inscrever mais músicas para “dar uma idéia melhor da produção do jovem artista aos jurados”. Assim na lista foram mais “Cirano”, recém composta, “Meu clarim”, “Cabocla” e “Último convite”. “Gabriela” foi selecionada e ali no mesmo dia, num bar defronte do teatro Record na Rua da Consolação, Maranhão passou a melodia da música ao conjunto vocal MPB-4, que a defenderia. Apesar da difícil disputa que todo o país acompanhava com inusitado interesse, quando soaram os primeiros acordes do frevo no arranjo do Maestro Gaya, o Teatro Record Centro explodiu: a festa não parou mais. A música revelou uma surpreendente característica até então muito pouco percebida seu cativante espírito de alegria jovial e um intenso poder convocativo, qualidades valorosas naqueles tempos. Ganhou o prêmio revelação e conquistou o quinto lugar entre as finalistas. Neste momento o Brasil conhecia mais um jovem talento na área da MPB, Francisco Fuzzetti de Viveiros Filho, o Maranhão.
